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Tempo comum: ritmo «tranqüilo» do ano litúrgico
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Entrevista com o Pe. Juan Javier Flores

Zenit propôs ao Pe. Flores Arcas, professor no Ateneu Pontifício de Santo Anselmo de Roma, algumas das perguntas fundamentais que todo católico se faz sobre o tempo litúrgico.

Trazemos aqui o que eles publicaram em seu site.

Tempo comum: ritmo «tranqüilo» do ano litúrgico


Zenit propôs ao Pe. Flores Arcas, professor no Ateneu Pontifício de Santo Anselmo de Roma, algumas das perguntas fundamentais que todo católico se faz sobre o tempo litúrgico.

--Estamos começando o tempo comum, liturgicamente falando. É um tempo «menor»?

--Pe. Flores: Não se trata de um tempo fraco com relação aos demais tempos fortes, já que conta com os domingos que são a celebração semanal da Páscoa, que está na origem própria do ano litúrgico. Em si este tempo não tem nada que o torne inferior aos demais.

O tempo comum não tem como objeto a celebração particular de um mistério preciso da vida de Cristo, mas a totalidade do mistério, visto mais em seu conjunto que em algum mistério particular.

São 33 ou 34 semanas que se situam depois da festa do Batismo do Senhor e continuam até a solenidade de Pentecostes.

Não são semanas completas, pois a algumas falta o domingo ou alguns dias, como nos dias que seguem a Quarta-Feira de Cinzas.

--Há formulários específicos para os dias feriais -- não festivos -- do tempo comum?

--Pe. Flores: Na liturgia atual deste tempo não se previram formulários específicos para os dias feriais, porém -- aqui está a grande novidade -- se preparou um duplo lecionário que enriquece notavelmente a celebração diária.

As grandes pautas da espiritualidade do tempo comum estão marcadas pelo duplo lecionário ferial: o lecionário da Eucaristia e o lecionário bíblico bienal do ofício de leituras, ao que se acrescenta outro lecionário bíblico patrístico.

Os dias do tempo comum têm uma distribuição própria de leituras em um ciclo de dois anos, mas o Evangelho é sempre o mesmo, pelo que é a primeira leitura a que oferece um ciclo diferente para cada ano.

Os evangelhos diários estão divididos dessa forma:

O evangelho de Marcos, desde a semana I à IX.
O evangelho de Mateus, desde a semana X à XXI.
O evangelho de Lucas, desde a semana XXII à XXXIV.

O evangelho de João, no entanto, é lido durante todo o tempo pascal, a partir da quinta semana da Quaresma. Constitui um conjunto de cinco domingos, desde o 17º até o 21º no ciclo B do tempo comum. Trata-se de uma ocasião privilegiada para uma catequese sobre a Eucaristia, ambientada na adesão a Jesus na fé.

--O tempo comum faz parte do ano litúrgico. Como podemos definir exatamente o ano litúrgico?

--Pe. Flores: O ano litúrgico pode ser descrito como o conjunto das celebrações com as quais a Igreja vive anualmente o mistério de Cristo.

Assim expressa o Concílio Vaticano II em sua constituição de liturgia, nº 102: «a Santa Madre Igreja considera dever seu celebrar com uma sagrada recordação, em dias determinados através do ano, a obra salvífica de seu divino Esposo», de modo que ao longo de um ano possamos percorrer os momentos cumes da história da salvação, introduzindo-nos nele.

O ano litúrgico é, portanto, o ano do Senhor, do Kyrios glorioso, do Cristo ressuscitado presente no meio de sua Igreja com a longa história que o precede e o acompanha. Revivemos a aliança, a eleição do povo santo e a plenitude dos tempos messiânicos.

Ao longo do ciclo anual, vamos repassando todo o mistério de Jesus Cristo, desde a encarnação até a espera de sua segunda vinda no final dos tempos, culminando este percurso na celebração mais importante do ano, isto é, na memória de seu Mistério Pascal.

O ano litúrgico, em seus diversos momentos, não celebra outra coisa senão a plenitude desse mistério, tem seu centro na Páscoa anual, tudo brota dela e tudo tende a ela.

--A Páscoa é sempre o ponto culminante?

--Pe. Flores: Os documentos que acompanharam a reforma litúrgica insistem de modo muito especial nesta centralidade pascoal; daí se desprende a necessidade de destacar plenamente o mistério pascoal de Cristo na reforma do ano litúrgico, segundo as normas dadas pelo Concílio, tanto no que referente à ordenação do Próprio do tempo e dos santos, como à revisão do Calendário romano.

A contínua celebração pascoal se constituiria, por isso, em ponto de partida de toda reforma do ano litúrgico.

A constituição conciliar sobre a liturgia e os documentos posteriores é clara e rotunda, não existe mais que um ciclo, que é o pascoal, ainda que junto a ele se situem outros ciclos colaterais.

A Páscoa de Cristo se encontra no centro da ação litúrgica; daí que toda espiritualidade cristã deva ser uma espiritualidade polarizada pelo fato divino da salvação, pelo mistério pascoal vivido por Cristo e celebrado memorialmente pela Igreja.

--Há espiritualidades específicas para cada tempo litúrgico?

--Pe. Flores: Sim, certamente. Centrando-nos nos grandes tempos do ano litúrgico, poderíamos dividi-los segundo a tonalidade do próprio tempo litúrgico, sempre partindo da unicidade da celebração da Páscoa, buscando a totalidade na simplicidade do mistério, ou seja, «o todo no fragmento»: Advento: uma espiritualidade escatológica; Natal: uma espiritualidade esponsal; Epifania: uma espiritualidade real; Quaresma: uma espiritualidade de conversão e penitência; Tríduo Pascoal: imitar sacramentalmente o mistério pascoal de Cristo; Páscoa: uma espiritualidade pentecostal; e o tempo Comum: o ritmo tranqüilo do ano litúrgico.


Pe. Juan Javier Flores, reitor do Pontifício Instituto Litúrgico / Zenit






 


 



 
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